Resenha do Filme "A papisa Joana"
A Papisa Joana
O drama tem como título original Die Päpstin, dirigido por Sönke Wortmann,
diretor, produtor e roteirista alemão e produzido por Bernd Eichinger, lançado
no ano de 2009 em Berlim, estrelado por Johanna Wokalek no papel de Papisa
Joana. O filme foi baseado no romance publicado
em 1996 Pope Joan de Donna Woolfolk
Cross, escritora americana, graduada em Inglês pela Universidade da Pensilvânia
em 1969, mestre em Literatura e Escrita pela UCLA (University of California, Los Angeles).
O filme se passa no século IX, em um período conhecido
como “Idade das Trevas”. Nesta época a educação era tida como algo divino, uma forma
de redenção, aproximação do Homem e Deus
e em que grandes grupos da sociedade eram tratados como trapos e
marginalizados, assim como as mulheres que eram vistas como incapazes de
possuir controle sobre sua vida e privadas de qualquer educação, pois
isso era visto como antinatural.
Joana nasceu em 814, na aldeia de Ingelheim, onde hoje
seria a Alemanha, teve um pai extremamente religioso e rígido, esse que proporcionava educação aos seus dois filhos mais velhos,
ensinando-os a ler e escrever, educação esta que foi negada a Joana com ameaças
de que isto a tornaria impura e infértil. Joana privada de educação pediu para
que seu irmão mais velho a ensinasse a ler e a escrever, tarefa esta à qual se
mostrou dedicada e aprendeu com maestria, tudo isso escondido aos olhos do pai
carrasco.
Após
a morte do irmão mais velho, um sacerdote grego visita a aldeia, descobre o
talento de Joana e decide ensiná-la, o pai de Joana se mostrou inflexível, não
queria permitir que tal “ofensa” fosse concretizada (pois como dito
anteriormente, uma mulher não poderia receber educação), mas acabou cedendo com
a condição de que o padre teria de ensinar o irmão do meio também (este que não
tinha interesse nenhum em estudar, queria ser um guerreiro). O padre reconhece
que João (irmão do meio) não tem talento, mas para poder lecionar à Joana acaba
por aceitar.
Ao
passar algum tempo, um mensageiro do bispo chega à aldeia com uma carta
convidando Joana para frequentar a “Scola”, o pai de Joana se recusa a manda-la
diz que houve um erro na escrita e que o convite foi para João e não para
Joana. Ela revoltada com atitudes em geral do pai e também por sua sede de
conhecimento acaba abandonando a aldeia. No caminho ela encontra seu irmão
perdido na floresta e vai com ele para a Scola.
Chegando lá foi designado que Joana não poderia se hospedar junto com os
meninos, então o conde Gerold ofereceu-se para ser responsável pela menina.
Joana
sempre se destacava nas tarefas, mas era marginalizada e humilhada pelo professor
e alunos. O conde passou a ser muito importante para menina, era seu amigo,
confidente, assim a esposa de Gerold enciumada obriga a menina a se casar,
então esta seria obrigada a abandonar a escola e sair de sua casa. Durante o
casamento a cidade é invadida por Vikins, uma chacina acontece, Joana acaba
sobrevivendo e abandona a cidade.
O
irmão de Joana foi morto durante a invasão da cidade e a menina cansada de
sofrer pelo fato de ser uma mulher, assume a identidade do irmão, ou seja, se
disfarça de homem para parar de ser vista como inferior aos demais. Acaba
entrando para uma escola de padres onde fica famosa pelo seu conhecimento
medicinal e conduta em geral, depois de um longo período servindo ao mosteiro,
ela acaba adoecendo e abandonando o lugar com medo de que descobrissem seu
segredo.
Agora
em Roma, ficou conhecida como curandeira e foi chamada para tratar o Papa
Sérgio II, com o qual cria laços de amizade e confiança, que mais tarde
renderam a ela o título de porta-voz papal.
Após
a morte de Sérgio II, Joana (agora João Ânglico) foi pega de surpresa com a
notícia de que o povo romano a tinha escolhido para ser Papisa e assim uma
mulher assumiu o papel de maior prestígio/autoridade dentro da igreja católica.
Governou com sabedoria e em prol dos cidadãos romanos, por isso passou a ser
conhecida como Papa Populi, o Papa do
Povo.
Joana
descobre estar grávida do capitão da guarda papal e na páscoa durante uma procissão
sofre um aborto espontâneo, em frente a uma multidão, a Papisa e seu bebe tem
um fim trágico, e os dois morrem. Assim todos acabam por descobrir que o Papa
era na verdade Joana de Ingelheim.
Por
mais que a história de Joana seja encarada como lenda as críticas permeadas nas
entrelinhas são incontestáveis, tem um enorme potencial de desconstrução
social, estimula um olhar crítico sob qualquer tipo tirania sendo esta
religiosa, cultural, etc. Estimula a reflexão, análise e revisão de algumas
doutrinas conservadoristas impostas na sociedade.
A
Igreja Católica Romana, com o seu predomínio cultural e religioso sob a
mentalidade popular silenciou e privou grandes grupos da sociedade. Os
marginalizados, vítimas deste processo de monopólio da educação estabelecido
pela cultura da época sofrem consequências até os tempos atuais e esta parcela
da população teve que lutar por seus direitos como cidadãos, pois até então não
eram vistos como tal, é o caso dos índios, negros, mulheres, homossexuais,
entre outros que constituem uma minoria inferiorizada.
Se ainda restarem dúvidas sobre o
conservadorismo da igreja ou parecer uma teoria da conspiração, basta considerarmos
que não há nenhuma chance do próximo Papa ser uma mulher, ou apenas o fato de
que atual Papa não ser Europeu foi considerado uma grande inovação.
Comentários
Postar um comentário